Texto de Amor: 1/3

Textos Românticos - Textos sobre AmorUm beijo e um bocejo. A coberta que antes fervia hoje é fria, e não podemos culpar o vento que passa pela janela aberta em um terço.

Cadê você? Não somos mais eu e não somos mais você. Enxergo-te sob a luz do fim do dia e reconheceria daqui ou a doze mil milhas. Reconheceria teu cabelo grunhido e a expressão que congelou sorrisos. Eu te reconheceria.

O que vem com o abraço. Certa indiferença, e a garrafa de vinho já está um terço vazia. Caímos no comodismo? No dia a dia rotineiro? No fim, foi como nos disseram uma vez sobre o amor – às vezes ele acaba; às vezes machuca até sangrar; e o nosso às vezes acontece. Às vezes o amor é esmagado pelo tal do triturador chamado tempo. Vira pó.

A pele já não ouriça mais e as mãos – antes inquietas – hoje já não sabem por onde agir. Enxergo-te com o olhar distante e a mente parcialmente rasa. Eu te reconheceria. Mas, meu amor, já não posso te sentir. Encontrando-me inteiramente aqui, meu corpo sedento já não suporta menos que metades. Um terço.

Meu jeito de gesticular os dedos em estalos, carregando a ansiedade presa no ambiente. Não me beije. Apenas entenda; nossos polos agora negativos repelem a aproximação.

Os corpos se tocam em instantes de outras dimensões. Como sentir saudades de alguém que está neste momento segurando a tua mão?  Não somos mais eu e não somos mais você. Não somos nós.

Indecisões. Comodismo. Quando ainda é ok. Quando ainda é bom. Mas, meu amor, o bom não é ótimo. E o ótimo não nos completa mais que um terço.

(Autora: Mainá Belli)

Textos de Amor, Reflexões, Pensamentos e Poesias ♥

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Textos de amor, pensamentos, reflexões e poesias.

Que tal conhecer a seção de “Textos de amor, reflexões, pensamentos e poesias” do Lemonade Made? Aqui você encontrará textos para rir e chorar, e certamente se identificará com alguns destes pensamentos e filosofias pós-modernas; afinal, o amor, os corações partidos e a tal da ressaca pós “pé-na-bunda” são linguagens universais.

p.s: Sim, você pode roubar os textos e frases à vontade, mas não se esqueça de dar os devidos créditos, ok?

olhos sonolentos

Texto sobre amor

Teus olhos. Semi Cerrados. Quase verdes; muito castanhos; e em um tom acinzentado.

Teus olhos de cor própria e exclusiva. Cor-de-sono. Já te contaram que meus dias giram de acordo com a sonolência dos teus olhos? Sempre eles, sempre estes.

Gosto quando por fechar, antes de dormir. Sempre eles, sempre estes olhos dorminhocos. Mais meus do que teus.

Que eles nunca se cansem de me fitar. Cê sabe do que eu tô falando. Quando estou distraída e quando me desespero. Teus olhos são calmos.

Enquanto me dispo e enquanto me troco. Estes perversos. Cê sabe…

Quando cruzam com os meus, sempre arregalados sem perder nenhum suspiro. Quando espelham o reflexo da minha inocência e quando piscam em busca de respostas.

Eles. Teus olhos em tons de verde;  quase cinza claro. Num tom de castanho intenso. Teus olhos de cor própria e exclusiva. Cor-de-limonada.

Que o nosso “para sempre” dure apenas o tanto indicado no prazo de validade. Não precisamos mais do que isso. Mas, teus olhos, cê sabe, quero sempre mais uma mirada. Encare meu sorriso que hoje é só teu. Se abre de orelha-a-orelha enquanto os teus olhos se fecham de um canto para outro.

Apesar do que foi e além do que vier, aqui estou eu, escrevendo sobre teus olhos sonolentos. Hoje. Depois do que passou e do que nunca mais será. Durante esta madrugada. Mais uma vez.

(Autor: Mainá Belli)

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Dos erros que eu gostei.

Amor ♥

Desculpe-me a distração e a fugacidade que deixei. Assim, sem querer. Existe alguém que lê antes de concordar com os termos de uso?

Dos erros o que eu gostei, em longos treze meses. E aí virou do avesso, o forro que tocava com suavidade, mais aconchegante que a parte em cetim. Você. Nós dois.

Desculpa a intensidade de cada sílaba que eu gri-tei; e in-sul-tei; e a-mei. O que era perfeitamente certo no lado errado e no momento mais inoportuno. Cê sabe, em um copo d’agua a minha tempestade ultrapassa os mililitros permitidos na expressão. Sinto muito por meus acertos, mas dos meus erros eu não abro mão.

Lembro-me do chiclete de melancia com hortelã e dos teus olhos sonolentos. Sono vespertino, fora do horário normal; mas o silêncio não combina com você e é por isso que ainda estranho a ausência. Pô, sinto muito por esse meu apego desnecessário.

Curtos treze meses que contabilizaram por tanto tempo apenas dois grãos de areia localizados no topo da ampulheta. Mas não se apegue ao meu apego por números de pouca importância – de novo o tal do apego –  é que me lembrei que já faz um ano desde que virei as costas pela última vez. Tenho certeza de que foi a última, entretanto ainda soa como a primeira.

Desculpa a reviravolta de segundos em sua vida e a partida deixando mínimos vestígios, tentando ser imperceptível, ou algo do tipo. Talvez não quisesse ser lembrada e talvez estivesse desesperada por memórias drásticas. O toque dramático que eu sempre instiguei.

E o nosso treze do azar foi sorte durante este tempo. Desculpa se a sua sexta-feira foi treze quando para mim ainda era dia doze. Tua indecisão contínua, nossos desesperos mútuos.

E, cara, desculpe-me; sei que não pedi para você ficar mesmo quando eu o queria desesperadamente, mas no fundo você bem sabia: não fui feita para caber, fui feita para transbordar.

(Autora: Mainá Belli)

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Naquela vez em que não sorri.

biblioteca

Um ruído no assoalho de madeira. Tec tec.

Fiquei por ali. E o seu sorriso branco, amarelado daquela vez que me viu. Daquela que não sorri.

Mas em semanas são só catorze. Parece pouco, se dependermos das cinquenta e duas horas da semana. E eu dependo.

Um ruído. Daquela vez em que acordei com um bar inteiro no estômago e um fígado meia-boca. Meia-boca semi-aberta cuspindo onomatopeias.

De dentro para fora e dos lobos uma matilha. Manilha, Zap e TRUCO! De três, de seis e de novo! De novo nós dois sem sabermos por onde deixar vestígios.

Um ruído que corroía o assoalho de madeira.  Tec tec no chão da biblioteca da praça central. Seu par de Vans substituído pelo barulho de um sapato social.

Fiquei por ali, no silêncio ensurdecedor do seu ruído de vibrações inaudíveis. Por ali. Naquela vez em que não sorri.

(Autora: Mainá Belli)

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Paixões de metrô.

metrô

Terça-feira, às sete da manhã, achei o amor da minha vida. E você ainda nem sabe.

Sua barba mal feita, seu desleixo e sua cara de sono. Me ganhou com o bocejo.

Sua camisa bem larga meio grunge anos noventa. Um sujinho só pra mim.

Dava pra ver a tatuagem com uma linda frase escrita no peito de cinco pêlos. Nem dava pra ler, mas eu sei que era linda porque era sua.

Sai desse celular com essa garota. Ela é chata e eu sou fora do comum.

Olha pra mim, minha franja sem chapinha e minha mochila de zebrinha querendo te amar.

Na sua pasta de designer tava escrito o seu nome com um garrancho. Coisa de artista.

Vou procurar por todos os Felipes nas redes sociais. Preciso que você saiba que o amor da sua vida sou eu. Você nem sabe, mas sou eu.

Me olhou meio de canto, com cara de espanto como quem encontra um psicopata. Olha pro branco do meu olho pra gente se apaixonar.

Os planos já estavam anotados na minha agenda de 2023. A gente ia casar, na igreja no quarteirão da minha casa.

Três filhos de cabelos escorridos e olhos castanhos como os seus. Você um produtor importante e eu ganharei a vida escrevendo sobre nós dois.

Você tinha um futuro todo na mão. Comigo. Sou engraçada às vezes, até que você ia gostar.

Só não sei porque diabos descer na Sé quando a gente ainda tinha mais três estações de metrô pra se amar.

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Autora: Mainá Belli)

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Ei, (…)

girassol

Ei,

Amor, não precisa entender e nem precisa chorar – certas coisas são entendidas pelo Universo como acertos, apesar das falhas tingidas em tons de neon em um outdoor de uma estrada sem saída. Apesar dos erros varridos por baixo das cortinas de uma sala sem janela, virando pó nesse vulcão inativo.

O Sol brilha e congela a ponta do nariz. Congela as sardas do rosto arredondado. Só não congela o tempo. Este arrasta as lembranças mal vividas e bate na porta aqui de casa seis vezes a cada mês – tenho contado. E Agosto mal começou.

Ei, isso tudo é apesar do que foi dito da boca para fora. O que foi xingado, amaldiçoado e cuspido. Apesar da brincadeira jogada fora do tabuleiro e dos dados que caíram embaixo da mesa de madeira. Apesar das regras rígidas combinadas em desordem com o espírito aventureiro que os horóscopos costumam me impor mensalmente.

Meu amor, não desperdice essas lágrimas com gosto de água do mar, deixe-as salgar essa imensidão azul e me acompanhe aqui da areia. Tô precisando enxergar através dessa visão privilegiada desse horizonte que corre na vertical.

Não sei se as libélulas espalharam a notícia para os teus ouvidos durante teu sono, mas a minha grande novidade – estampada como manchete no jornal que eu não criei – é a de que tenho distribuídos beijos por aí. Por aí por onde ando. Por aí para quem eu quero. Por aí por que eu gosto. Por aí por enquanto já que eu ainda não sei dançar a nossa valsa. Mas se a correnteza fluir para o oeste vou poder te ver mais uma vez. Ei – espere mais um pouco – os beijos guardados para ti podem facilmente serem levados pelos ventos soprados em canudo bicolor. Mas só se você permitir…

Quero um cenário parisiense do século passado e um encontro qualquer embaixo da torre Eiffel. Quero nossos nomes em destaque nos créditos rolando no fim do filme. Que seja em preto e branco, que seja eternizado. Ei, não gaste suas lágrimas que já nem são mais doces. Lembre-se de que, quando as luzes se acendem, os figurantes saem do cinema e sobraremos nós dois com os lenços usados e os olhos avermelhados.

Ei, amor, a vitrola antiga toca um blues e nós não valemos essa lágrima derrubada com gostinho de algodão. A neblina já baixou e o açúcar cristal cobre o fim do copo. O destino tem me mostrado que certas respostas estão guardadas em um cofre escondido atrás de uma obra-prima surrealista. E eu – ainda – nem tenho a senha de acesso.

Construiremos nossa base em um futuro qualquer e quando eu estiver pronta para a valsa te chamarei para a brincadeira de telefone-sem-fio. Mas, – ei – quando um dia a gente se trombar por aí, me avise – gritando por entre os girassóis amarelos – que é aqui, com os pés descalços tocando a grama, que os nossos sonhos são feitos como limonada.

(Autora: Mainá Belli)

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