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Criei teorias mirabolantes para entender como um coração tão grande poderia caber dentro de alguém; e como nem as eventualidades podem superar toda a duplicidade e cumplicidade que pra você guardei. A complexidade mais simples e fácil de entender: nada pode ser tão claro e descomplicado quanto a soma de eu + você.
Você sabia que não demorei muito pra perceber que eu não mudaria absolutamente nada em você? E que pra mim é um privilégio contar os segundos antes de te ver?
Seus passos curtos, suas conversas longas e eu passaria horas memorizando as pequenas sardas coradas do seu rosto.Os beijos intensos, conselhos serenos e eu passaria noites inteiras observando os fios dourados do seu cabelo.
Você sabia que às vezes tudo o que eu quero de noite é seu cheiro de sabonete, seu cabelo molhado e seus olhos semicerrados?
Três anos de uma vida inteira e tudo está tranquilo. Hoje eu tenho você e sei que amanhã também. Você sabia que sou imensamente grata por ter alguém para dar vida aos versos que eu sempre guardei? E que estar ao seu lado será sempre o melhor lugar que encontrei?
Eu, você e o gostinho de alcaçuz em meio ao deserto. Nós dois. Os teus cigarros e a minha sobremesa. O teu soluço seguido de um susto. O pouco de lágrima que restou.
Na sua escrivaninha, na gaveta à esquerda. Abra você mesmo e verá. Estão lá.
Me entende? O que era nosso ficou. Ficaram as rugas dos risos e a bagunça no lençol. Ficou a marca do meu batom cor de tomate e a mancha de vinho no tapete indiano que fica no corredor. Continue lendo
Teus olhos. Semi Cerrados. Quase verdes; muito castanhos; e em um tom acinzentado.
Teus olhos de cor própria e exclusiva. Cor-de-sono. Já te contaram que meus dias giram de acordo com a sonolência dos teus olhos? Sempre eles, sempre estes.
Gosto quando por fechar, antes de dormir. Sempre eles, sempre estes olhos dorminhocos. Mais meus do que teus.
Que eles nunca se cansem de me fitar. Cê sabe do que eu tô falando. Quando estou distraída e quando me desespero. Teus olhos são calmos.
Enquanto me dispo e enquanto me troco. Estes perversos. Cê sabe…
Quando cruzam com os meus, sempre arregalados sem perder nenhum suspiro. Quando espelham o reflexo da minha inocência e quando piscam em busca de respostas.
Eles. Teus olhos em tons de verde; quase cinza claro. Num tom de castanho intenso. Teus olhos de cor própria e exclusiva. Cor-de-limonada.
Que o nosso “para sempre” dure apenas o tanto indicado no prazo de validade. Não precisamos mais do que isso. Mas, teus olhos, cê sabe, quero sempre mais uma mirada. Encare meu sorriso que hoje é só teu. Se abre de orelha-a-orelha enquanto os teus olhos se fecham de um canto para outro.
Apesar do que foi e além do que vier, aqui estou eu, escrevendo sobre teus olhos sonolentos. Hoje. Depois do que passou e do que nunca mais será. Durante esta madrugada. Mais uma vez.
(Autor: Mainá Belli)
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