o tanto do quanto de uma memória invejável.
Memória incrível. Olha só, há exatamente dois anos e cinco dias. Dezessete de maio de dois mil e onze. Números. Eu lembro até o horário e o azul do seu jeans. Mas isso nem vem ao caso.
As palavras eu memorizei mais rápido que a letra da minha canção favorita. Assim, sem querer, após repeti-las interminavelmente na minha cabeça ao longo das vinte e oito noites seguidas. “O que existia entre a gente acabou e só você não percebe, menina.”
O que você disse depois disso nem têm importância, a primeira frase estava lá martelando os poucos parafusos que sobraram na minha cabeça. Eu esqueci do café que eu estava bebendo. Tirei a sua mão da minha. Pisquei inúmeras vezes para que os olhos parassem de lacrimejar. Eu tô bem, eu tô bem.
Sua boca continuava se movimentando e cuspindo frases que, ainda bem, eu escolhi não escutar. E ao meu redor passando um filme de oito meses. Noventa por cento drama e apenas dez por cento sobre amor. Números. E foi aí que eu decidi.
Abri a bolsa com o pingente que você tinha me dado no dia anterior. “Realmente!” – pensei – “só eu não havia percebido como tudo já tinha terminado. E presentes inesperados provam isso.” Certo?
Tirei uma nota de cinco reais da carteira para pagar o café e coloquei em cima da mesa. Seu monólogo entediante continuava. Dei meia volta em silêncio e saí.
E o meu vestido cinza, parei de usá-lo porque me lembrava este dia. Ah, eu me lembro de ter chorado no caminho para casa e também de ter doído. Memória boa e nem tão invejável assim, pode apostar.
Foi um tanto quanto confuso quando ontem, dois anos e cinco dias após ter ouvido a frase que me roubou algumas boas horas de sono e que me fez duvidar da minha sanidade, você resolveu bater na minha porta.
E foi só aí que eu percebi a única coisa que a minha incrível memória deixara escapar: Do tanto que eu já nem lembrava do quanto eu já havia completamente me esquecido de você.

“Acho que a única razão de sermos tão apegados em memórias, é que elas não mudam, mesmo que as pessoas tenham mudado.” – Camylla Gonçalves Cantanheide
Pessoas mudam, mas nossas mentes funcionam como uma máquina fotográfica, só que não tão eficaz, afinal não escolhemos realmente o que permanecera arquivado, as vezes nos lembramos mais do que não queremos. As memorias tem esse poder elas são marcas, são símbolos e diferenças em cada um de nós, com uma analogia mórbida e um tanto deprimente…
As memórias ruins funcionam como cicatrizes de feridas antigas, não importa o quanto você tenha envelhecido, mudado ou andado por este vasto mundo. Elas continuaram a marcar teu corpo….
Achei interessante o texto, aliás XD
-Denyel
Oi Denyel….
EXATO! As cicatrizes ficam mas a rotina e o contato com outras pessoas acaba nos ajudando a esquecê-las, pelo menos até o momento de alguém vir e tentar arrancar a “casquinha”. haha
Obrigada pelo seu comentário! Adorei 😉
– Mainá